Profissão: DBA. Voce não sabe o que é um DBA?

Este artigo é parte de uma série que tem como objetivo esclarecer algumas profissões da área de Tecnologia da Informação. Por não ser regulamentada, é normal encontrar cargos como “Engenheiro de Dados”, “Cientista de Dados”, “Administrador de Banco de Dados”, “Arquiteto de Dados”, “Administrador de Dados”, “Programador de Banco de Dados” entre outros. Apesar de existir MUITA diferença entre os cargos acima, a maior parte das vagas disponibilizadas as vezes a descrição do que é exigido não bate com o nome da função que o profissional vai exercer. Encontrei em um site de vagas aqui do Brasil a seguinte oportunidade em aberto:

“Vaga para Arquiteto de Dados – Sólida experiência em administração de bancos de dados, conhecimentos em programação SQL, especialista em performance tuning (ajuste de performance) e inglês fluente.”

Para quem conhece, fica claro que essa empresa precisa de um… DBA !!!!!! Então vamos no Wikipedia e ver o que ele diz ser um DBA:

Administrador de banco de dados, comumente chamado de DBA (sigla em inglês de DataBase Administrator), é o profissional responsável por gerenciar, instalar, configurar, atualizar e monitorar um banco de dados ou sistemas de bancos de dados.”

Não é a descrição perfeita, mas acredito que todos consigam ter uma visão do que esse profissional faz. “O que é um banco de dados?”. Você conhece o Access? Ele é um banco de dados, possui muitas restrições para uso em empresas mas tem a essência de um banco de dados. “ok, se eu for ninja em Access sou DBA?”. Lógico que não.

O artigo acabou? Longe disso, como sempre faço, procuro escrever contando um pouco da minha relação profissional com o conteúdo do artigo.

Tudo começou… “rapaz, tem uma empresa que a casa caiu… alias, o banco de dados dos caras caiu. O sujeito era analista de sistemas, estava desempregado e pegou a vaga de DBA. Precisou restaurar um banco de dados e jogou o backup em cima de outro banco que atende ao presidente, tem como você dar um jeito?”.

Eu não era DBA, estava na área de segurança da informação mas por apenas instalar e configurar firewall de um determinado fabricante eu estava aberto a mudar minha área de atuação. Enquanto isso, como a Microsoft acabava de lançar a certificação MCDBA, resolvi respirar outros ares e estava estudando SQL Server (o banco de dados da Microsoft. Existem outros…. de outros fabricantes, ok?). Trabalhava com minhas consultorias pontuais e ministrava treinamentos oficiais (nessa época eu já tinha o MCT – Microsoft Certified Trainer). Mas como parto do principio que nunca estamos 100% prontos para encarar um desafio, já tinha feito muitos testes, estudado bastante e…. fui lá na empresa. Afinal a casa já tinha caído; o máximo que poderia acontecer era perder meu tempo e não ganhar nada, além de falar que não consegui resolver o problema (a parte chata da história).

Depois de dar um treinamento o dia inteiro, fui no final do dia na empresa. Consegui recuperar o banco de dados que atendia a presidência. Recebi um dinheiro, e ainda vivenciei um caso real de algo que vinha estudando a alguns meses. E o mais interessante, ninguém na empresa sabia disso, estavam em um estado de desespero total que não me perguntaram se eu era DBA ou entendia do assunto, foram me dando a senha de administrador. “Você não é MCSE? Então… resolve aí…” bradou o gerente de sistemas.

“Problema resolvido, recebi um convite para me tornar DBA dessa empresa, afinal tinha salvo a vida dela. Pena que não deu para salvar o analista de sistemas que foi forçado a pedir demissão.”

Aceitei mas com uma condição: Queria continuar dando meus treinamentos oficiais a noite e entraria na empresa não como CLT; como PJ (não queria ficar “amarrado” a horários). Mais motivado ainda partí do seguinte principio: Se você for esperar ficar 100% pronto em fabricar vinhos para começar a vendê-los, JAMAIS irá vender uma única garrafa de vinhos na vida. Só fabricando, vendendo, pesquisando, refazendo a fórmula, pesquisando a satisfação dos clientes, etc é que você vai se tornar um mestre. E sigo esse lema até hoje, enfrentar desafios é o que me move na minha profissão.

Durante 1 ano virei noites em claro estudando, trabalhando e praticando… passei finais de semana direto na empresa implementando alguma nova funcionalidade, resolvendo problemas ou indo ver porque não estava fazendo backup durante a madrugada (!!!!).

Comecei a fazer os exames de SQL Server para tirar a certificação MCDBA (Microsoft Certified Database Administrator). E, depois de aprovado, peguei mais uma certificação.

Evolui muito e fui em frente. Depois dos certificados, comecei a dar treinamento pelo Brasil. Conheci muitos profissionais e empresas; fiz amigos que até hoje entram em contato perguntando como resolver um problema no banco de dados da empresa deles.

Fui em busca de novos clientes, e hoje trabalho como DBA Remoto. “O que faz um DBA Remoto?”. Resposta: Um DBA que trabalha acessando remotamente os clientes e atendendo-os sem estar fisicamente presente. Simples, prático e é uma realidade. Conheço diversos DBAs que atuam remoto.

“Trabalhar remoto é uma coisa; Home Office é outra um pouco diferente. Você pode trabalhar remoto sem, necessariamente, estar em seu Home Office. E voce pode trabalhar Home Office sem estar 100% do tempo conectado”.

Portanto, se vocè quer ser um DBA vou te dar algumas dicas:

1) Estude muito! Pense que existem milhares de DBAs que sabem MUITO mais do que você e já estão no mercado à decadas, portanto…;

2) Estude muito mais do que acredita que precisa estudar. Pense que existem milhares de DBAs que só sabem o básico e não estão interessados em aprender mais, é o famoso “prá que estudar? vou continuar ganhando o mesmo que estou ganhando e ainda vou deixar de ir na praia e tomar chopp com a rapaziada”;

3) Pratique muito! Quando se sentir seguro, comece a procurar alguns clientes. Sempre tem alguém precisando instalar um banco de dados. Se você instalou 3.000 vezes e aplicou as melhores práticas que estudou e pesquisou, você está 70% apto a encarar o desafio. Deu errado? Não desista; persista! Não deixe seu cliente na mão.

“Se você tem outra função dentro da empresa e não tem um DBA, coloque-se a disposição. Se existe um DBA, fique do lado dele. Não seja chato; demonstre interesse em aprender. Se ele for MUITO bom, vai te dar dicas. Se for ruim, vai mandar você sumir da frente dele, mas não se preocupe, o prazo de validade desse DBA na empresa está acabando…”

Acredito que consegui contar um pouco do que faz um DBA e como me tornei um. Foi por acidente, como muitos outros DBAs. Você precisa de um DBA? Tem bons profissionais no mercado, procure alguns, converse, conte seu problema; a dor da sua empresa. Não espere acontecer com a sua empresa o que aconteceu com a que citei acima. Não é história; por mais incrível que pareça, acontece muito no dia-a-dia.